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segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Ex-faxineira que inspirou novela entra na Forbes com Gisele Bündchen



A ex-faxineira Zica Assis, 52, que inspirou a criação da personagem de Heloisa Périssé na novela Avenida Brasil, a cabeleireira Monalisa, figura entre as dez mulheres de negócios mais poderosas do Brasil, segundo a revista americana "Forbes".

Na mesma lista, divulgada em maio deste ano, estão a modelo Gisele Bündchen, a presidente da Petrobras Maria das Graças Silva Foster e a presidente do Instituto Ayrton Senna, Viviane Senna. 

Zica é fundadora da rede de salões de cabeleireiros Instituto Beleza Natural, especializado em cabelos crespos e ondulados. A motivação para criar o negócio veio do próprio cabelo que, segundo a empreendedora, era difícil de manter bonito.

"Virei cabeleireira aos 21 anos para conhecer meu próprio fio. Nos anos 90, os únicos tratamentos que existiam eram para alisar, e eu queria mantê-lo natural, mas com balanço e brilho. Eu era doméstica e o cabelo crespo era visto como sujo e sinal de desleixo", conta.

Hoje, a rede possui 13 salões –dez no Estado do Rio de Janeiro, dois no Espírito Santo e um na Bahia–, 1.700 funcionários, um centro de desenvolvimento técnico para criação de cosméticos e uma fábrica de produtos próprios com capacidade de produção de 300 toneladas por mês.

Com o conhecimento adquirido no curso de cabeleireira e o contato com fornecedores de empresas de cosméticos no salão em que era funcionária, ela passou a testar misturas de produtos em casa na tentativa de melhorar a aparência do próprio cabelo.

"Meu marido reclamava que meu cabelo estava sempre desgrenhado, de tanta mistura que eu passava sem sucesso. Então, passei a testar no cabelo do meu irmão porque se não desse certo, era só raspar", diz.

Foram dez anos de testes até que ela recebeu o primeiro elogio a suas madeixas. "Fiz uma mistura que não fez o cabelo do meu irmão cair, então passei no meu. Quando uma prima elogiou e disse que queria que o cabelo dela ficasse igual, eu soube que havia chegado à fórmula certa."

A descoberta foi batizada de "Super Relaxante". Depois de procurar uma indústria química para fabricar o produto com exclusividade, o passo seguinte foi convencer o marido a vender o único bem da família, um automóvel Fusca, para investir no próprio salão. Ela convidou o irmão – que até então era cobaia nos testes– e uma amiga para serem sócios e trabalharem com ela.

Em 1993, foi inaugurada a primeira unidade do Instituto Beleza Natural, na comunidade do Catrambi, na cidade do Rio de Janeiro. "A fama foi se espalhando e desde as 5h da manhã já tinha gente na fila. Quando abria, às 9h, o salão já estava cheio, com 100 pessoas", declara Assis.

Um ano depois, ela inaugurou a primeira filial e o crescimento nunca mais parou. Este ano, serão inauguradas outras cinco unidades –três em São Paulo e mais duas no Rio de Janeiro. A rede atende 90 mil clientes por mês e, além do Super Relaxante, foram desenvolvidos cerca de 50 produtos, entre xampus, condicionadores e outros itens para fazer a manutenção do tratamento.

"O tratamento com o Super Relaxante só é feito no salão e a fórmula é ultrassecreta. Vendemos os produtos para que a cliente faça a manutenção em casa", diz.

Ela não revela o faturamento, mas diz que a rede cresce, em média, 30% ao ano. "Na época em que criei o salão, ninguém olhava para a classe C, agora ela tem força e liberdade de escolha. Eu cresci junto com ela, dou oportunidades de trabalho, e estar na lista de uma revista tão importante é o reconhecimento de muito trabalho", diz.

A consultora de negócios em beleza Rose Gonçalves, da empresa Assessoria em Beleza, diz que se especializar em determinado nicho, como fez Assis, ajuda a empresa a se tornar referência no segmento. "Ela virou referência, por isso fez sucesso. No Brasil, onde grande parte da população tem ascendência negra, esse nicho é uma grande oportunidade", destaca.

Reinaldo Messias, consultor do Sebrae-SP (Serviço de Apoio à Micro e Pequena Empresa do Estado de São Paulo) diz que o empreendedor deve desenvolver habilidades de venda e apostar na comercialização de produtos relacionados, como xampus e cremes de tratamento. "Isso ajuda a elevar o faturamento."

O desafio, segundo ele, é fazer com que o cliente reconheça o estabelecimento como bom prestador de serviço e não somente o profissional.

"Se o cliente reconhece o profissional como sendo bom, ele irá segui-lo se ele trocar de salão. O dono do salão é um intermediário e tem que ser atuante. Ele deve treinar todos os profissionais igualmente, para que nenhum seja insubstituível", declara.

Fonte:http://economia.uol.com.br/

Ex-panfleteiro compra escola do patrão e fatura R$ 24 mi com aula de games8



Alessandro Bomfim, 37, protagonizou uma virada. De entregador de panfletos de uma escola de informática no Rio de Janeiro, ele se tornou o dono do negócio, modernizou as aulas e criou uma rede, a Saga, que faturou R$ 24 milhões em 2014. Entre os cursos oferecidos estão computação gráfica e desenvolvimento de games.

Antes, ele foi office-boy, entregador de pizza, balconista, auxiliar de serviços gerais, entre outros bicos que o ajudavam a sobreviver enquanto lutava pelo sonho de se tornar cantor de funk. Mas foi distribuindo panfletos, em 1997, que as portas se abriram. Ganhando R$ 10 por dia como freelancer, ele já se destacava ao atrair muitos alunos e foi chamado para integrar a equipe fixa da escola.

Como queria ter liberdade de horário para poder levar suas músicas às rádios, recusou a proposta. Mas, cerca de um ano depois, sem resultados no mundo da música, resolveu se dedicar mais ao emprego e aceitou o cargo de vendedor externo. Com bom desempenho, logo virou gerente de vendas e, depois, gerente-geral da escola.

À frente da gestão, sentia necessidade e vontade de promover mudanças. "Eu dava várias sugestões, principalmente no perfil dos cursos, mas os donos não aceitavam, eram muito fechados", afirma.
Primeira medida como patrão foi abolir aulas de Power Point

Em 2002, ele se juntou a dois amigos --um deles, sócio-investidor-- e fez uma oferta para comprar a escola. O investimento na época foi de cerca de R$ 90 mil, mais o pagamento de algumas dívidas da empresa. Sua primeira ação como dono foi abolir o curso genérico de informática, que ensinava a usar programas como Power Point e Excel, e criar o de computação gráfica, mais especializado.

"Era uma linha totalmente diferente do que o mercado nacional estava aplicando naquele momento", declara. A estratégia se mostrou correta e logo Bomfim inaugurou filiais em São Gonçalo (RJ) e em São Paulo (SP).

Em 2009, atento ao mercado internacional, ele identificou outra tendência: ensinar mais embasamento artístico, não apenas a mexer nas ferramentas. "Comecei a implementar isso, mas percebi que exigiria uma grande reformulação dos cursos. Então, resolvemos mudar tudo, inclusive o nome da escola, para virar, de fato, uma escola de arte digital", declara.

Hoje, a Saga oferece cursos de computação gráfica, de desenvolvimento de jogos em 3D, de maquetes eletrônicas e de personagens 3D. As mensalidades variam de R$ 270 a R$ 550. Há unidades em Brasília (DF), Belo Horizonte (MG), Guarulhos (SP), Recife (PE), Salvador (BA) e São Paulo (SP).

Embora forme mão de obra para o mercado, 99% dos alunos são adolescentes entre 13 e 16 anos interessados no mundo digital, segundo Bomfim. Mais de 12 mil alunos já passaram pela escola. Desde 2011, a Saga tem parceria com a Gnomon School of Visual Effects, escola de efeitos especiais de Hollywood. 
Concorrência e dólar alto são desafios atuais

Embora tenha alcançado o sucesso, a saga de Bomfim continua. Hoje seus desafios são a concorrência e o dólar alto. "O mercado hoje está mais difícil, por isso, procuramos sair do tradicional eixo Sul-Sudeste. Temos duas unidades no Nordeste e pretendo abrir uma na região Norte. Como trabalhamos com softwares originais e importados, sofremos com a alta do dólar", diz.

Para o especialista em inovação Valter Pieracciani, sócio da Pieracciani Desenvolvimento de Empresas, o ramo exige que o negócio se reinvente o tempo todo para acompanhar as mudanças tecnológicas e econômicas. Segundo ele, uma oscilação do mercado pode fazer as famílias cortarem gastos extras com cursos extracurriculares.

"Frases como 'em time que está ganhando não se mexe' e 'sempre fizemos assim e funcionou' devem ser abolidas do mundo dos negócios. Hoje, as empresas aprendem fazendo. Se fizer bem feito e o cliente perceber valor naquilo, ele vai pagar."

Fonte Economia.uol.com