"É comum ver pessoas que usaram determinado produto por muito tempo e em certo momento começam a apresentar alergia. Chega até ser difícil para o médico para convencer o paciente a suspender o uso", conta. Ela cita como exemplo comum nos consultórios as mulheres mais velhas que, depois de anos de tintura, às vezes até da mesma marca, começam a ter eczemas nas orelhas e no pescoço.
Não é o cosmético por si o causador da alergia, mas, sim, um substância usada em sua fórmula. A adição ou não dela pode mudar conforme a marca. Por isso, após feitos os exames para descobrir a qual substância se é alérgico, a única forma de prevenção é ficar de olho no verso das embalagens. Fernandes recomenda entrar em contato com as empresas para checar se realmente não há o componente, pois algumas embalagens não mostram absolutamente tudo o que foi usado.
Para descobrir qual o produto causador da alergia é recomendado o teste de contato. Nesse exame, é colocada uma placa de metal com diversos tipos de produtos nas costas do paciente e após 48 horas o médico faz a primeira análise. Outra leitura é feita após mais 48 horas. Achado o causador, é dado um relatório ao paciente com os produtos nos quais ele pode encontrar esse elemento. A parafenilenodiamina, usada como fixador, além de presente na tintura pode estar em cosméticos escuros, como sombras e lápis de olho, por exemplo.
Há também o teste do uso, quando se coloca um pouco do produto em uma região onde a pele é mais fina (como na dobra interna dos cotovelos) e se acompanha a reação. Algumas tinturas de cabelo ensinam como fazer esse teste no panfleto que vem junto com o produto.
Esse mesmo teste era feito com as maquiagens que seriam usadas pela ex-ministra, Marina Silva, altamente alérgica, durante a campanha presidencial em 2010. Isabela Turcato lembra que o efeito era imediato e a pele empipocava na hora. A médica, porém, alerta que o teste de toque é eficaz em quem já tem um histórico de alergia.